O Eldorado japonês. Assim pode ser definida a visão que os primeiros imigrantes nipônicos tinham do Brasil.
Somente nos dez primeiros anos de imigração, chegaram ao país 10 mil orientais. Um número exorbitante!!E estes números ficam ainda mais expressivos quando analisamos o período de 1917 a 1940, já que se estima a chegada de 160 a 165 mil japoneses no país tropical. Na década de 30, o Brasil já possuía a maior comunidade nipônica fora do Japão.
Apesar desta chegada em massa dos orientais, o início não foi fácil, pois vários fatores acentuavam as adversidades naturais a serem superadas longe da terra natal: a língua diferente, os costumes, a religião, o clima, a alimentação e o preconceito. A pergunta que fica é: por que vir para o Brasil então? Simples. Além do incentivo governamental, muitos tinham a pretensão do rápido enriquecimento e, em no máximo três anos, retornar para a Terra do Sol Nascente. Doce ilusão!! Os japoneses não contavam com o sistema de trabalho perverso e exploratório dos fazendeiros brasileiros. Moral da história, o sonho nunca se concretizou.
Porém, mesmo com estas dificuldades, continuaram a desenvolver o seu trabalho e a sua cultura de modo persistente, até que veio a Segunda Guerra Mundial. Após o Brasil declarar guerra ao Eixo (Alemanha-Itália-Japão), ficaram proibidas as manifestações culturais, assim como o uso das respectivas línguas destes países.
Os japoneses montaram focos de resistência contra o governo brasileiro e chegaram a fazer panfletagem entre os seus conterrâneos para que os mesmos destruíssem plantações de seda e hortelã. O motivo, os derivados destas plantas eram usados no fabrico de pára-quedas e nitroglicerina, respectivamente.
Além deste tipo de manifestação, também ocorreram dissidências internas. O rebuliço entre os japoneses era a aceitação da derrota na guerra, ou não. Como eram muito fiéis ao imperador Hiroito, a grande maioria dos nipônicos acreditava que a notícia da derrota japonesa era invenção dos EUA, para enfraquecer o seu país natal. Por conta disto, o coronel aposentado Junji Kikawa fundou a Shindo Renmei ( Liga do Caminho dos Súditos). Com isto, a população imigrante foi dividida em derrotistas (a grande minoria) e os vitoristas. O que aconteceu é que, os “Corações Sujos”, como eram conhecidos os derrotistas, foram perseguidos e, entre 1946 e 1947, foram mortas 23 pessoas.
Com a movimentação intensa desta organização, o governo de Dutra começou a perseguir os membros da mesma e, a partir de 1947, o Shindo Renmei perdeu força. 30 mil pessoas foram interrogadas, 300 foram presas e 155 foram condenados à expulsão. Fato este que nunca se concretizou. Este episódio ficou tão marcante no nosso país que, em 2000, o escritor Fernando Morais lançou o livro “Corações Sujos”, vencendo o Prêmio Jabuti com o mesmo
Bem amigos-curiosos, na próxima postagem vamos saber, passo a passo, como foi o desenvolvimento das quatro gerações japonesas que existem no país. Vamos ver o que os primeiros imigrantes e os seus bisnetos fizeram nestes 100 anos de história.