20 de jun. de 2008

Hinomaru

Simples: um pano branco com um círculo vermelho no meio. Pronto! Temos a bandeira do Japão! Se engana quem julga assim tão minimalista um símbolo nacional. A simbologia da Hinomaru [nome da bandeira nipônica que significa Círculo de Sol] carrega séculos de batalhas samurais e impérios japoneses.

Não há data exata que defina quando ela passou a ser utilizada, porém há quem afirme que no séc XVIII, na época das ofensivas do povo mongól no Japão, o budista Nichiren ofereceu o disco solar ao Imperador do Japão, reconhecido como descendente de Amaterasu, deusa do sol. Oficialmente, foi em 1868, quando o Império Meiji deu início à era moderna do Japão [como é representada no filme O Último Samurai], que a Hinomaru passou a ser reconhecido para uso em expedições comerciais. Desde então o sol vermelho no fundo branco representa a nação japonesa.



Insígnia Naval
Criada em 1889, a "bandeira com 16 raios" [à direita na imagem] foi utilizada pela marinha japonesa até o fim da Segunda Guerra Mundial. Proibida de ser utilizada pelo Tratado de São Francisco [que impedia o país de possuir forças armadas], ela voltou a ser utilizada em 1952 pelo pavilhão naval do Japão representando as forças de auto-defesa.

A foto é de uma das cenas do filme Cartas de Iwo Jima

19 de jun. de 2008

Mangás

Derrotado na segunda guerra mundial, o Japão seria alvo fácil das influências ocidentais e seus produtos culturais, certo?

A história mostra que não. E que o contrário aconteceu em algumas áreas, uma delas as histórias em quadrinhos, no caso dos japoneses, os Mangás.

A palavra mangá surgiu em 1814 e representava uma coleção de gravuras. Mas a partir da derrota na segunda guerra mundial, curiosamente, é que a indústria dos desenhos se expandiu. Talvez a responsabilidade possa ser do contato que alguns ocidentais tenham tido com a cultura japonesa apenas em função da guerra.

E o que estes ocidentais viram nos mangás japonesas foram figuras com aspectos estritamente humanos e olhos bem representativos. Nada dos super-heróis que nunca morrem ou que se livram da situação de perigo quando tudo parece perdido. No mangá o personagem nasce, cresce, envelhece e morre, criando um verdadeiro laço afetivo com o leitor.

No Japão são vendidos mais de um bilhão de revistas por ano. No Brasil esse número chega à casa dos duzentos mil.

A leitura do mangá, por característica da cultura oriental, é feita de trás para a frente, a começar pela última página da revista rumo à primeira. O sucesso dos mangás foi a inspiração para a criação dos desenhos japoneses que também fizeram sucesso no Brasil. A história de um deles, Os Cavaleiros do Zodíaco, você confere na postagem da próxima quinta feira.

Você pode ler mangás on-line, em português, no site Central de Mangás

17 de jun. de 2008

Escritas made in Japan

Você provavelmente já ouviu falar em ideogramas. Embora sejam característicos da cultura oriental, estão presentes em tatuagens, mangás, adesivos e produtos vendidos nas lojas de lembrancinhas. Para nós ocidentais, pode até ser divertido ver aqueles traços sobrepostos formando as palavras "amor", "amizade", "sucesso", ou tentar descobrir como escrever o próprio nome em japonês. Mas vale ressaltar que, no Japão, essa não é a única forma de escrita: existem outros três tipos, conforme explica o infográfico animado abaixo. Todos são usados no país.

16 de jun. de 2008

O poder da (Des) Ilusão

O Eldorado japonês. Assim pode ser definida a visão que os primeiros imigrantes nipônicos tinham do Brasil.

Somente nos dez primeiros anos de imigração, chegaram ao país 10 mil orientais. Um número exorbitante!!E estes números ficam ainda mais expressivos quando analisamos o período de 1917 a 1940, já que se estima a chegada de 160 a 165 mil japoneses no país tropical. Na década de 30, o Brasil já possuía a maior comunidade nipônica fora do Japão.

Apesar desta chegada em massa dos orientais, o início não foi fácil, pois vários fatores acentuavam as adversidades naturais a serem superadas longe da terra natal: a língua diferente, os costumes, a religião, o clima, a alimentação e o preconceito. A pergunta que fica é: por que vir para o Brasil então? Simples. Além do incentivo governamental, muitos tinham a pretensão do rápido enriquecimento e, em no máximo três anos, retornar para a Terra do Sol Nascente. Doce ilusão!! Os japoneses não contavam com o sistema de trabalho perverso e exploratório dos fazendeiros brasileiros. Moral da história, o sonho nunca se concretizou.

Porém, mesmo com estas dificuldades, continuaram a desenvolver o seu trabalho e a sua cultura de modo persistente, até que veio a Segunda Guerra Mundial. Após o Brasil declarar guerra ao Eixo (Alemanha-Itália-Japão), ficaram proibidas as manifestações culturais, assim como o uso das respectivas línguas destes países.

Os japoneses montaram focos de resistência contra o governo brasileiro e chegaram a fazer panfletagem entre os seus conterrâneos para que os mesmos destruíssem plantações de seda e hortelã. O motivo, os derivados destas plantas eram usados no fabrico de pára-quedas e nitroglicerina, respectivamente.

Além deste tipo de manifestação, também ocorreram dissidências internas. O rebuliço entre os japoneses era a aceitação da derrota na guerra, ou não. Como eram muito fiéis ao imperador Hiroito, a grande maioria dos nipônicos acreditava que a notícia da derrota japonesa era invenção dos EUA, para enfraquecer o seu país natal. Por conta disto, o coronel aposentado Junji Kikawa fundou a Shindo Renmei ( Liga do Caminho dos Súditos). Com isto, a população imigrante foi dividida em derrotistas (a grande minoria) e os vitoristas. O que aconteceu é que, os “Corações Sujos”, como eram conhecidos os derrotistas, foram perseguidos e, entre 1946 e 1947, foram mortas 23 pessoas.

Com a movimentação intensa desta organização, o governo de Dutra começou a perseguir os membros da mesma e, a partir de 1947, o Shindo Renmei perdeu força. 30 mil pessoas foram interrogadas, 300 foram presas e 155 foram condenados à expulsão. Fato este que nunca se concretizou. Este episódio ficou tão marcante no nosso país que, em 2000, o escritor Fernando Morais lançou o livro “Corações Sujos”, vencendo o Prêmio Jabuti com o mesmo

Bem amigos-curiosos, na próxima postagem vamos saber, passo a passo, como foi o desenvolvimento das quatro gerações japonesas que existem no país. Vamos ver o que os primeiros imigrantes e os seus bisnetos fizeram nestes 100 anos de história.

15 de jun. de 2008

Personagem: Luiz Kanji Hakada


Seu Luiz, 70 anos de idade, de aparência jovem, é um dos descendentes de japoneses que você encontra no Bairro Liberdade, em São Paulo, aos domingos. De sobrenome Kenji Harada, nascido na capital, morou um pouco no interior do estado mas vive já há 5 anos com sua barraquinha montada na Praça.

Lá, ele vende quadros com pinturas de letras na lígua japonesa e já foi entrevistado várias vezes por ocasião das comemorações dos 100 anos de imigração. Ele já trabalhou em mais de 30 firmas. E explica que procurava sempre alguma coisa que achava melhor pra ele. FOrmou-se na faculdade de Artes Plásticas com 42 anos.

Quando nasceu, o pai (que veio com 10 anos de idade para o Brasil) escolheu o nome dele baseando-se em 2 letras. As duas, juntas, significam Filho Sadio.

Ideograma ou kanji




Fibra: espírito das letras




Brasileiro de coração




Sangue de Samurai




Brasil do futuro





"Você pelo menos ouviu um desabafo de um velho. Eu vou trabalhar até o último dia da minha vida. Eu quero que pelo menos o nosso pessoal comece a entender um pouquinho o patriotismo. O brasileiro esquece muito. E aqui bate muito no meu coração esse patriotismo. Cara de japonês, mas bastante brasileiro" (Luiz Kenji Harada).

Na Mídia

A Revista Veja de 4 de junho deste ano trouxe uma curiosidade sobre o mundo japonês no Brasil. A reportagem De A a Z 100 legados japoneses mostra elementos que incorporamos aos nossos costumes, mesmo sem perceber a origem, algumas características e personalidades de olhos puxados.

Passar os olhos pela lista é um exercício de surpresas e diversão. Dentre os escolhidos para figurar as 10 páginas dedicadas à matéria com muitas fotos e ilustrações, estão os de praxe: acupuntura (de origem chinesa, mas trazida ao Brasil por japoneses), animê (desenhos animados exibidos desde 1960 aqui), bonsai, chá verde, ikebana (arte do arranjo floral), karaokê, origami, sushi, sumô...

Outros, soam um pouco estranhos aos nossos ouvidos: tabi (meia de dedinhos), sumiê (pintura com tinta monocromática, técnica que chegou aqui pelas mãos do artista Massao Okinaka), ofurô (banhos em tinas com água a pelo menos 40° de temperatura) e kotsu anzen omamori (saquinho de pano bordado usado como proteção contra acidentes de carro).

Há também frutas, verduras e hortaliças na lista. Poncã e rabanete: esses eu não sabia mesmo que vinham do outro lado do mundo. Nem mesmo a técnica de usar estufas para plantações.

Achei engraçado ter dentre as contribuições importantes algumas expressões como: alunos aplicados (em referencia à grande parcela dos alunos descendentes que conseguem vagas nas melhores universidades brasileiras), mestiços, zen, e 1,3 milhão de descendentes (por aqui há a maior comunidade fora do Japão).

Mas o que me assustou foi um nome que nos é conhecido e figura com destaque na letra S: Sabrina Sato, que tem descendência japonesa, libanesa e suíça. Para as repórteres Naiara Magalhães, Renata Moraes e Thaís Oyama, ela é a nova apresentadora de unanimidade nacional.


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