13 de jun. de 2008

Lá e cá

Imagine você saindo de casa para trabalhar, ganhar dinheiro e conseguir melhores condições de vida para a família. Normal, não? Talvez não seja tão simples quando se trata de buscar emprego do outro lado do mundo. Com a família de Olívia Êmika Miquelino foi assim. Ela tinha 10 meses na época em que foi para a cidade de Suzuka. "Meus pais foram para lá como dekasseguis" [dekassegui · deru: sair + kasegu: ganhar dineiro]. O que impressiona é o fato de o pai dela ir sem saber "uma só palavra em japonês. Teve que aprender na raça". A mãe já estava mais habituada à língua pois convivia com os avós, que vieram do Japão, em Atibaia [SP].

Mesmo pequena, Olívia se lembra de quando ficava na creche enquanto os pais trabalhavam. "No Japão sabem muito bem quem é realmente japonês e quem tem alguma descendência. As mulheres que cuidavam de filhos de dekasseguis eram bem frias. O contato com as crianças era o mais superficial possível". Isso faz parte do choque quando se entra em contato com constumes diferentes. Apesar disso, Emikathan [como a chamavam no Japão] reconhece de forma positiva a cultura nipônica. "Cresci dentro dela. Faz parte de mimm, do que sou hoje. Tenho muito orgulho da história dos meus antepassados. E dos meus pais também, tem que ter muita coragem para ir parar do outro lado do mundo dispostos a voltar um dia para o brasil e ter uma vida melhor".

A yonsei [nome dos descendentes da 4ª geração de família japonesa fora do país] voltou para o Brasil aos quatro anos. "Muito embora o Japão seja um país de primeiro mundo e tenha toda uma qualidade de vida que não se tem no Brasil, a grande expectativa de quem vai para lá trabalhar é de voltar para o país de onde veio". Relação muito parecida com à vida que leva atualmente, morando e estudando em Viçosa. "O intuito de quem sai da sua cidade para ir estudar na UFV, ou em qualquer outro lugar longe de casa, é o de um dia voltar e poder, de uma certa forma, dizer que teve, além de uma boa formação, um acúmulo de experiências".

Sobrenome
Êmika, na verdade não é o sobrenome da família da bisavó de Olívia. Inclusive nem mesmo é o sobrenome dela. "É meu segundo nome, como se fosse composto. Tinha um desenho, anime [desenhos característicos japoneses], que minha mãe via de vez em quando e tinha uma menininha que chamava Êmika. Ela achou bonito e colocou".

Mas, afinal, porque não preservar o Yamada? "Minha mãe não quis colocá-lo porque meu nome iria ficar imenso. E ela não abria mão do Êmika".

12 de jun. de 2008

Jaspion

Os imigrantes japoneses vieram para o Brasil e não trouxeram apenas sua força de trabalho, sua disciplina e sua dedicação. Alguns sucessos infanto-juvenis da TV brasileira vieram da terra do sol nascente. Uma das emissoras mais beneficiadas em termos de audiência com os seriados e desenhos japoneses foi a já extinta TV Manchete.

O primeiro sucesso japonês da Manchete foi a série Jaspion. Típico de histórias japonesas para TV, os robôs e os efeitos especiais (lembrando que são efeitos da década de 80), faziam sucesso com a garotada, principalmente pelo horário, 18:30h, logo o horário que todo mundo tava chegando da escola.

O site Nipoheroes, dedicado aos sucessos japoneses no Brasil mostra todos os personagens e os detalhes de Jaspion.

E para relembrar fique com a abertura do seriado:

11 de jun. de 2008

Na mídia


Nas páginas da sessão Ilustrada da Folha de São Paulo da última sexta-feira (09), Japão e Brasil se encontram em mais uma homenagem relacionada à Imigração. Com o título São Paulo Fashion Week traz o Japão fashion ao Brasil, o jornal destaca que o maior evento de moda da Améria Latina tem como tema a terra do sol nascente.

A novidade desse ano é a vinda do estilista Kenzo Takada (foto ao lado por Bunka Gakuen)*, que ministra duas palestras (uma no evento e outra gratuita no Senac São Paulo) e assiste a alguns desfiles. Ele é considerado um dos maiores nomes da moda mundial e tem como "companhia" de olhos puxados o presidente da Tokyo Fashion Week, Nobuyuki Ota.

É claro que a Folha não deixou de puxar a sardinha para o "nosso lado", e Gisele Bündchen continua sendo citada como a grande estrela.


O SPFW traz ainda as exposições Olhar da Tradição (peças de quimonos) e Olhar Contemporâneo (peças de estilistas japoneses), além das fotos de Cristiano Mascaro (tiradas no Japão) e André Passos (que retrata japoneses com roupas canarinhas).


*do site Japan·Inc

Acesse a programação do SPFW

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o Na Mídia volta no sábado falando mais sobre o que é retratado e como jornais, revistas e tvs têm levado o Japão até você.

10 de jun. de 2008

Numa folha qualquer...

Se você digitar "origens do origami" no Google, vai encontrar diferentes versões para a arte japonesa de dobrar o papel sem fazer cortes. Segundo alguns pesquisadores, esse hábito remonta ao período entre os séculos VI e X, quando monges budistas chineses introduziram o papel no Japão. O novo produto ainda era caro, restrito à nobreza, e por isso passaria a ser utilizado em rituais religiosos e na confecção de quimonos.

Identificar a origem dessa prática é difícil por ela ter sido transmitida de forma oral. Foi só no final do século XVIII que foram registrados os modos de criar algumas figuras a partir da dobradura, com a publicação do Senbazuru Orikata (Como Dobrar Mil Garças). Nessa época, os japoneses já produziam papel, o que permitiu a disseminação e o aprimoramento das técnicas do origami. Essa denominação, aliás, começou a ser usada somente a partir de 1880, a partir da junção das palavras "ori" (dobrar) e "kami" (papel). Quatro anos antes, ainda conhecida como orikata, essa arte passou a integrar o currículo escolar das instituições de ensino no Japão.

Os origamis variam de formato, de tamanho e de dificuldade. Muitos possuem significados: o sapo representa o amor e a fertilidade; a tartaruga, a longevidade; a borboleta, a união. E se uma pessoa presentear você com um tsuru, também conhecido como grou ou cegonha, está desejando boa sorte, felicidade e saúde. Existe a lenda de que se alguém dobrar mil tsurus e fizer o mesmo pedido a cada um deles, terá qualquer desejo realizado.


Quer ver se dá certo? Veja como se faz um tsuru e comece o trabalho:


9 de jun. de 2008

As primeiras ondas

Há 100 anos atrás desembarcava o primeiro navio com japoneses no Brasil. No dia 18 de junho de 1908, o Kasato Maru atracou no porto de Santos com 165 famílias da terra do sol nascente.

Hoje em dia, os laços de união entre os brasileiros e os nipônicos são celebrados e cultivados, e a amizade entre os dois povos é algo assumido deliberadamente. Mas por que os japoneses vieram parar no Brasil??

Fatores econômicos. Incrível, não? Mas a grande verdade é que no início do século passado, o Brasil precisava de mão-de-obra para as lavouras de café, já que a base da nossa economia ainda sentia os efeitos da abolição da escravatura. Já o Japão, estava com um crescimento demográfico bastante elevado, e o governo não conseguia suprir as necessidades de emprego de todos. Por conta disto, os dois governos selaram um acordo e, com isto, dois coelhos foram mortos com uma cajadada só e as duas economias conseguiram sair dos sufocos pelos quais atravessavam.

O que a princípio pareceu um desafogo populacional da grande ilha oriental, e um abuso da mão-de-obra destes estrangeiros de olhos puxados, acabou criando um ambiente de amizade e extremamente proveitoso no intercâmbio cultural entre ambos. Setores dos mais diversos podem ser exemplificados: a popularização da comida japonesa no Brasil, a importância dos dois países em suas respectivas balanças comercias atualmente, e por que não o desenvolvimento do futebol na terra de Hiroshima e Nagazaki?

Brasil e Japão acabaram se tornando países parceiros e a receptividade dos brasileiros aos nipônicos foi algo que aconteceu com o desenrolar da chegada de vários japoneses aqui. Ainda exemplificando o peso dos orientais em nossa sociedade, vale citar o bairro da Liberdade em São Paulo, reduto famoso e tradicional de japoneses na terra da garoa!!!

O Nas Ondas do Maru vai abordar todos os aspectos que envolvem os 100 anos de imigração japonesa no Brasil, afinal você não quer saber como foi o período de adaptação inicial deles? E como eles foram tratados na Segunda Guerra Mundial? Linhas da postagem da próxima segunda ... Até lá!!

Nas Ondas do Maru: o início

A partir de hoje, o Nas Ondas do Maru mostra o universo japonês no Brasil e a história da imigração que completa 100 anos em 2008.

Personagens, comemorações, viagens e tradições são alguns dos temas que nós, do Cultura do Balaio vamos retratar aqui.

Vocês podem opinar, criticar e sugerir novas postagens comentando no blog ou enviando um e·mail para dentrodobalaio@ufv.br.